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Doença pneumocócita: uma das mais graves causas de meningite Imprimir e-mail
Escrito por Salete Costa   
04-Abr-2007

O Streptococcus pneumoniae (Pneumococos) é uma bactéria que pode infectar crianças pequenas causando um conjunto de doenças graves como: meningite; septicémia (envenenamento do sangue); Bacteriémia (infecção no sangue); e pneumonia. Embora o Pneumococos não seja o único tipo de bactéria que provoca as doenças descritas, em Portugal esta é uma das mais graves causas de meningite potencialmente mortífera em crianças com idades inferiores aos dois anos de idade.

 

A maioria dos casos graves de doença por Pneumococos dá-se em crianças com menos de dois anos, porque é nesta idade as defesas naturais da criança ainda não estão totalmente desenvolvidas. Pode também afectar crianças maiores ou mesmo adultos, muito embora aos cinco anos estas já possuam uma protecção natural contra a doença por Pneumococos. Esta doença não é tão conhecida do público como outras doenças infantis, talvez pelas suas diversas formas de manifestação - meningite, pneumonia, entre outras. No entanto, existe uma preocupação crescente, pois é uma das formas mais frequentes de meningite nos bebés.No que toca a grupos de riscos, a maior parte das pessoas, incluindo cerca de 60% das crianças, transportam o pneumococos na nasofaringe (parte de trás do nariz e da garganta) e transmitem-no através de tosse ou espirros.  

 

«No que toca a grupos de riscos, a maior parte das pessoas, incluindo cerca de 60% das crianças, transportam o pneumococos na nasofaringe (parte de trás do nariz e da garganta) e transmitem-no através de tosse ou espirros». 

 

Na maioria das vezes este processo é inócuo. Todavia, existem grupos de pessoas mais propícias, que poderão estar mais expostas ao efeito desta bactéria: crianças com menos de dois anos; idosos; e crianças e adultos com deficiências no sistema imunitário ou outras condições de saúde (doenças crónicas) que lhes aumentem o risco de infecção.De sublinhar que as doenças causadas pelo Streptococcus pneumoniae são das causas mais comuns de hospitalização de crianças e adultos. Em cada ano, nos EUA, por exemplo, as infecções pneumocócicas são responsáveis por cerca de 40 mil mortes. Nas crianças, a bactéria é responsável por sete milhões de casos de otite média por ano, bem como por um número significativo de doenças invasivas pneumocócicas: três mil casos de meningite, 50 mil casos de bacteriémia e 500 mil casos de pneumonia. Em Portugal, uma vez que a doença pneumocócica ainda não é de declaração obrigatória, há dificuldade em obter dados oficiais sobre a epidemiologia da doença. Esta enfermidade tem uma taxa de mortalidade que pode ir até aos 20%, sendo que está associada a um maior risco de danos neurológicos permanentes, em comparação com outras formas de meningite.

 

Vacinas são uma forma de prevenção

Actualmente, existem duas vacinas que protegem contra a doença pneumocócica: a polissacárida para 23 serotipos (para crianças com mais de 2 anos e adultos); conjugada com Heptavalente (para crianças entre os dois meses e os dois anos de idade e entre os dois e os cinco anos, se pertencerem a grupos de risco).

- Vacina Polissacárida para 23 serotipos Esta vacina protege crianças com mais de 2 anos e adultos, durante um período de aproximadamente cinco anos. A vacina polissacárida não é, no entanto, eficaz em crianças com menos de dois anos e na protecção de pessoas com deficiências no sistema imunitário.

- Vacina Conjugada Heptavalente É a vacina mais recente, surgida em 2000, e cobre os sete serotipos de pneumococos que causam cerca de 75% das doenças pneumocócicas graves em crianças com idades entre os seis meses e os dois anos na Europa (são conhecidos cerca de 90 serotipos). A eficácia da vacina foi demonstrada em vários estudos pré e pós-aprovação pelas autoridades de saúde, tendo demonstrado uma alta capacidade de imunização em crianças a partir dos dois meses de idade. Em termos de aplicação, a vacina é aplicada de forma faseada: três doses com início, normalmente, aos 2 meses de idade, com um intervalo de pelo menos 1 mês entre cada dose, e uma quarta dose no segundo ano de vida. 

 

Diferentes tratamentos para o mesmo problema

Na Europa, a utilização da vacina pneumocócica é ainda muito diferente de país para país. Cada governo tem abraçado uma política diferente no que diz respeito à aplicação de medidas de imunização face à doença pneumocócica. A Secção de Infecciologia Pediátrica da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) emitiu algumas recomendações relativamente à utilização da vacina em Portugal, aconselhando que esta seja comparticipada e recomendada a todas as crianças abaixo dos dois anos de idade e gratuita para as crianças pertencentes aos grupos de risco para doença pneumocócica invasiva. Segundo este organismo, vacinar contra o S. Pneumoniae poderá determinar a diminuição de uma doença de significativa mortalidade e em que é maior a incidência e gravidade das sequelas na população infantil.
No que diz respeito ao calendário da vacinação contra o S. Pneumoniae, a Sociedade recomenda que esta seja iniciada no primeiro ano de idade, pela maior incidência da doença invasiva no grupo etário dos dois meses aos dois anos e pela compatibilidade com o PNV.

Actualizado em ( 04-Abr-2007 )
 
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