Vouzela,  22 de Novembro de 2017 | Director: Lino Vinhal

QUE VOUZELA SE RENOVE NO CAMINHO CERTO

5 de Julho 2017

O 82º aniversário do Notícias de Vouzela, que com esta edição se evoca, acontece numa altura em que Vouzela renova parte do seu tecido social e da sua classe dirigente. Dizia um velhote de boa memória, dali dos lados da freguesia de Alcofra, que os oitenta são uma data danada. Difícil de lá chegar, difícil de ultrapassar, muitas vezes difícil de viver. Tal como as pessoas, também as instituições, as empresas, associações e demais agentes vivos da sociedade envelhecem e sentem o peso dos anos e o da responsabilidade. As pessoas morrem e delas perdura a memória dos afectos e da memória que possam ter merecido. As instituições, essas tentam renovar-se, passando o testemunho às gerações seguintes, crescendo muita vez, definhando outras tantas. É a inelutável lei da vida.

Mas não são fáceis os tais oitenta. Sobretudo quando olhamos para o lado e vemos partir quem foi parte de nós, olhemo-nos como Vouzela terra, olhemo-nos como Vouzela jornal da região. Chamem-se eles Fernandos Pereiras, Telmos Teixeiras ou Guilhermes Coutinhos, ou outros mais — exemplos vivos de dadores do sangue que corre nas veias deste Jornal — humildemente confessamos que nos fazem falta, muita falta e que sem eles a vida é outra coisa. Eu sei, sabemos todos, que ninguém é insubstituível. Mas dizer isso, como parte do nosso léxico desculpante e motivador, não deixa de ser uma grande inverdade. Porque há, na vida de todos nós, quem seja mesmo insubstituível. Há vazios que ficam para a vida. Há nadas que restam que são punhados de saudade nunca perdida. Cá na casa assumimos isto com frontalidade, com humildade e com verdade. E esta gente, esta e outra desses e doutros tempos, fazem-nos falta.

Esperemos que façam falta só a nós. Oxalá que Vouzela, vila e concelho, lhes não sinta essa falta, eles que se lhes dedicaram vida inteira, trabalho inteiro, amor e paixão inteiros. Há, nas pessoas e nas sociedades, a ideia alimentada por gente das gerações mais novas de que os velhos não fazem falta, quando não os rotulam muitas vezes de impedirem o crescimento das terras e das regiões. Não escasseiam exemplos, nas famílias e na sociedade, de castanhas que estouraram na boca de galitos de crista arrebatada que tudo fazem para que se lhes ouça o cacarejar. Se para se ser do Benfica não basta ser vermelho, também para se ser Vouzela não basta participar em todas as almoçaradas que por aí se realizam, algumas como belíssimas manifestações do nosso património gastronómico, outras como belas jornadas da arte fofoqueira e intriguista. Nem constitui certificado de origem e matriz o correr atrás do poder vigente em cada altura, à espera das migalhas sobejantes. Ser-se, ou ser de, é muito mais do que isso. E no que toca a Vouzela e Lafões, é desde logo ser-se sério, honrado e trabalhador.

Neste evocar dos nossos 82 anos, o Notícias de Vouzela faz votos que todos nós sejamos capazes de construir o futuro dignificando o passado. Um bom exemplo dessa Vouzela renovada e olhos postos no futuro é capaz de ser o Parque Natural da Serra do Caramulo, aqui concebido e nascido, a dar ainda os seus passos iniciais. A recente tragédia de Pedrogão Grande veio evidenciar o mérito dessa orientação, fazendo uma saudável ocupação dos solos e criando uma nova cultura do que melhor serve as pessoas, as regiões e o país. Que Vouzela continue a dar bons exemplos, não deixando de ser nunca a referência que sempre foi em muitos dos aspectos da nossa vida colectiva.

Aos nossos Leitores,  Assinantes,  Anunciantes e Amigos em geral agradecemos o apoio e amizade anualmente repetidos e tudo faremos para continuarmos a ser deles dignos merecedores.