Vouzela,  20 de Abril de 2019 | Director: Lino Vinhal

Casas senhoriais e património ao abandono

31 de Janeiro 2019

É uma tristeza vermos, pelas nossas terras além, magníficos exemplares de arquitectura, carregados de história e património em estado lastimoso, em destruição quase completa uns, em degradação constante muitos outros e quase desfeitos tantos mais. Sendo chaga que não nos atinge só a nós, os que temos o privilégio de viver em Lafões, um jardim melhor que todos os outros, tal como escrevia Correia Severino “… E não há no mundo um lugar assim…”, não deixa de ser doloroso toparmos esta realidade.

Com um mapa à mão, citando praticamente de memória, começamos logo por Santa Cruz da Trapa, onde, à beira da estrada que liga S. Pedro do Sul ao Porto, pela serra, se encontra o Solar dos Malafaias a gritar, com toda a força, por salvação. Ao que se sabe, o seu proprietário fundador, cansando-se do barulho que lhe apareceu com esta nova via, decidiu desfazer-se dele para ir de abalada até Serrazes, localidade onde ergueu novo palácio, este ainda aceitavelmente conservado. No entanto, mantém um estigma e uma mancha, o do célebre crime de Serrazes dos inícios do século XX, que teima em não se apagar.

Partimos para o concelho de Vouzela e ali, a caminho de Carvalhal de Vermilhas, na Corujeira, há um outro edifício imponente que também olha para nós a pedir compaixão. Comparando-se com o Solar dos Saldanhas, no centro de Cambra, que foi magnificamente restaurado, quase se sente cada vez mais só e abandonado.

Avançamos para o município de Oliveira de Frades, onde, por exemplo, na freguesia de Arcozelo das Maias, em Quintela, o Solar do Ribeiro se mostra praticamente em ruínas. Nos últimos dias, soubemos uma boa notícia: é que já houve alguém que adquiriu parte daquele magnífico imóvel com vista ao seu restauro e uso compatível com o seu passado.

Em seu redor, menos vistosas, há todo um conjunto de casas de grande marca que se encontram, em triste sinal dos tempos, ou praticamente destruídas ou quase a cair. Dentro delas, nalgumas, espreitando pelo canto do olho, notam-se peças de inegável valor, como um lagar de varas, ainda em bom estado e outros pormenores.

Mais à beira da Barragem de Ribeiradio, uma boa casa solarenga, em Virela, ameaçava seguir o mesmo destino fatal, mas a salvação parece estar a caminho, por ter sido adquirida para fins turísticos. Boa ideia é esta!

Em Pereiras e em Antelas, imóveis de grande valor caem como tordos.

Num imenso rol de património em decomposição, seria longa a lista a colocar aqui. Estes são alguns lamentáveis exemplos. Mas queremos terminar este trabalho com uma boa notícia: em Fornelo, Arcozelo das Maias, o seu velho solar, embora com muitos erros e falhas, está de pé e com vida. Assim acontecesse com todos os demais.