Vouzela,  25 de Maio de 2019 | Director: Lino Vinhal

Unidades de Gestão Florestal: Novos programas para a nossa floresta

14 de Fevereiro 2019

Com os montes a mostrarem a devastação dos incêndios de 2017 e outros, a nossa floresta ainda se encontra praticamente ao abandono e a piorar de dia para dia. Com muita legislação produzida, em concreto pouco se tem feito e também não são fáceis as soluções. Mortas as árvores autóctones e as respectivas manchas que, nalguns locais, se apresentavam com enorme potencial económico e ambiental, destruídos os pinhais, queimados os eucaliptais, só estes têm despontado em assustadora progressão geométrica. O resto ou é um deserto, ou um campo selvagem de silvas e outras infestantes.

Foi a pensar nestes problemas que a Cooperativa Três Serras organizou, na passada sexta-feira, dia 7, em Vouzela, uma reunião e debate para apresentação de um novo programa, as UGF – Unidades de Gestão Florestal, criadas pela Lei 111/2017 e que, agora, se encontram em plena discussão, havendo já aguns exemplos da sua criação, como a de Nelas. Pena foi que esta acção tivesse tão pouca gente, quando é altamente necessário mostrar as virtudes (e também os defeitos) destes mecanismos de gestão florestal. Por outro lado, importa que se desmonte a lei e se ofereça aos potenciais aderentes as propostas que se pretendem alcançar de uma forma que toda a gente entenda e se mostre atraente e realista.

Na mesa que presidiu a estes trabalhos, estavam Carlos Oliveira, em representação do Município, António Minhoto, da Florestal/Nelas, António Bica, proprietário e advogado e Rui Machado, da entidade organizadora, a Cooperativa Três Serras. Feita uma perspectiva histórica e abordada a questão do despovoamento e seus impactos nas nossas matas, autênticos minifúndios, muito repartidos e de áreas altamente reduzidas, chegou-se à conclusão que é necessário encontrarem-se formas e mecanismos de gestão que rentabilizem estes mesmos territórios. Criticaram-se ainda os poderes públicos que, durante décadas e séculos, nada fizeram pela defesa de uma agricultura e silvicultura rentáveis, investindo, pelo contrário, todas as fichas na industrialização do litoral.

Por outro lado, neste momento, ainda os espaços ardidos estão cheios de detritos a impedirem mesmo que se avance para o seu aproveitamento.

Com enormes potencialidades em possíveis e diversificados aproveitamentos, as Unidades de Gestão Florestal (UGF) nasceram para ser possível, em associações ou cooperativas, dar força aos investimentos em múltiplas áreas, desde a plantação de árvores aos usos e costumes habituais, como a exploração de mel, do turismo e das culturas agrícolas tradicionais, ou outras.

Com o possibilidade de cada proprietário aderir ou não, o certo é que quem entrar neste esquema não perde nada dos seus terrenos, participando antes na sua rentabilidade, na proporção dos seus espaços e das condições em que se encontram no momento da entrada neste esquema e programa de gestão. Completando as ZIF – Zonas de Intervenção Florestal, estas UGF viram-se mais para os interesses individuais.

Cada proprietário pode entrar com parcelas até 50 ha, por número, sendo que a área territorial mínima para se constituir uma UGF deve ser de 100 hectares e 5000 máximo.

Sendo um processo livre e voluntário, importa que os esclarecimentos se aprofundem e se desfaçam todas as dúvidas, de modo a que o processo avance de uma forma aberta e solidária.

Porque a floresta não pode ficar como está, há que procurarem-se soluções que sejam do interesse de cada uma de nossas comunidades e suas diversidades.