Vouzela,  24 de Abril de 2018 | Director: Lino Vinhal

CR

Comércio de madeiras afectado pelos incêndios

16 de Março 2018

Um deles liga-se ao comércio de madeiras e ao seu uso nas construções.

Mas, mais grave e dramático que tudo isto, foram as mais de cem vítimas mortais, as centenas de feridos, alguns deles com marcas para toda a vida, foi ainda a destruição de cerca de 600 empresas de vários ramos, alguns de tecnologia de ponta, a que se acresce a perda de cerca de 2000 casas queimadas e um sem número de instalações agrícolas e pecuárias e milhares de animais dizimados pelas chamas. Enfim, uma tragédia sem precedentes.

Se o eucalipto foi uma espécie em grande perda, o pinho seguiu igual destino. Além disso, desta vez, perderam-se mesmo árvores mais nobres, como o carvalho e o castanheiro, entre outras, o que agrava ainda mais este quadro.

Segundo a Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP) sobe aos 2,4 mil milhões de euros, por ano, o valor das exportações. Agora, prevê-se forte queda. Alerta ainda esta Instituição para o perigo de faltarem madeiras para mobiliário, o que levará a terem de ser encontradas outras soluções, tais como os aglomerados.

Entretanto, depois de as florestas e das matas terem sido destruídas, vamos ter décadas de espera para voltarmos a usufruir destas riquezas. São gerações perdidas, são espécies, muitas delas, que não mais voltarão a ver a luz do dia, numa perigosa perda de biodiversidade. Desta feita, com os fogos não são apenas os valores económicos que deixam de alimentar a economia, mas é também a natureza que se empobrece.

Neste quadro negro, sobressaem ainda outros aspectos que também não nos ajudam em nada, como a confusão reinante em matéria de limpeza de matas, sobretudo em redor das habitações e das aldeias. Por mais informação que tenha havido e esteja a aparecer, as dúvidas estão instaladas e o caos é quase uma realidade em todo este imbróglio.

Aliás, para a própria AIMMP, os “ agricultores estão embrulhados em burocracia”, o que emperra mesmo a sua capacidade de manobra e a sua vontade de enfrentar a vida com a determinação e a coragem que são agora mais necessárias do que nunca.

Em sociedades envelhecidas e desprovidas da força jovem, tudo se agrava ainda mais. Desta forma, o Interior que já sofria de males enormes, cada vez fica pior.

Se, como muito bem se sabe, sem florestas nada pode viver, quando elas assim ardem é o nosso futuro que está em risco.