Vouzela,  18 de Agosto de 2018 | Director: Lino Vinhal

CR

Economia social cada vez mais na ordem do dia

4 de Janeiro 2018

Muito embora pareça coincidência com factos negativos e lastimáveis que, dizem, se passam numa determinada instituição, na zona de Lisboa, ligada ao campo da economia social, o certo é que, condenando, se for verdade, vivamente tudo o que ali tem sido praticado, pretendemos com este modesto trabalho tão só e apenas dar conta da acrescida importância deste sector na vida das nossas comunidades, a muitos níveis e em patamares altamente diversificados.

Na região de Lafões, em cada um de seus concelhos, são muitos os exemplos, em apoios, que vão desde os bebés à terceira idade, avançando-se ainda para áreas mais especializadas como aquelas que trabalham com pessoas com deficiência. O mesmo se verifica um pouco por todo o país.

A movimentar impressionantes números, este também chamado terceiro sector (muito embora haja em todas estas definições algumas arestas a limar, mas, grosso modo, assim se pode falar) constitui fonte de 6% do emprego remunerado em Portugal, representando 2.8% do VAB – Valor Acrescentado Bruto – e espalha-se por vários milhares entidades a gerar 14 mil milhões de euros em recursos. Nesta onda solidária, 93% das instituições são associações com fins altruísticos, havendo igual percentagem em matéria de IPSS – Instituições Privadas de Solidariedade Social.

Há uma outra relevante ideia a reter: em praticamente todas estas instituições, é enorme o peso do voluntariado, talvez mesmo a dever ser considerado o seu facto mais saliente, quanto a modos de organização e funcionamento. Dada a sua amplitude, é óbvio que a economia social não pode suportar-se apenas nessa excelente força humana, porque as suas funções e exigências carecem de pessoal efectivo e, sobretudo, com altas especializações. Mas, em sintonia, a componente voluntária e a profissional fazem o milagre quotidiano de fazer as pessoas, que tanto precisam destes serviços, muito mais felizes e, a uma outra luz, a poderem beneficiar dos direitos que lhes pertencem totalmente, consagrados na nossa Constituição e nas normas internacionais.

 

Uma constelação de esperanças

Tal como nos diz Rui Namorado (Faculdade da Economia da Universidade de Coimbra), toda a economia social é uma constelação de esperança, sendo, por isso, um espaço de realização de sonhos de todos e de cada um de nós. Para que tal se torne viável e concretizável, defende o OBESP – Observatório da Economia Social em Portugal – que tudo se tem de processar no respeito pela dimensão humana, no combate à exclusão social, na vontade de promover a realização individual, numa visão democrática e participada de toda a organização, na primazia das pessoas, na defesa da responsabilidade e numa abordagem diferente da actividade sócio-económica dita normal.

Porque é de respostas a necessidades socais que se trata, sendo, por isso, algo de bastante melindroso por se relacionar com a fragilidade da pessoa humana, requer cuidados e abordagens muito especiais, muito solidárias e muito generosas.

Estando nós a caminho do Natal, temo-lo todos os dias nas nossas IPSS e afins, tais como Misericórdias, Centros Sociais, ASSOL, Bombeiros, CLDS, RLIS, associações diversas e outras valências por aqui existentes. Há também que deixar uma palavra de apreço para outras formas de cooperação com o próximo que, não sendo institucionais, são de uma mais-valia sem par: pensamos, neste caso, nos cuidadores onde quer que eles estejam em acção.

Com a solidariedade como sua marca indelével, a economia social impõe-se cada vez mais. Hoje, porém, muito diferente do que foi noutras épocas, por aqui e por esse mundo fora, devido aos tempos novos que vivemos.