Vouzela,  23 de Setembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

CR

Fevereiro é mês pequenino mas de grande animação

8 de Fevereiro 2018

Com vinte e oito dias apenas, Fevereiro foi vítima de um qualquer capricho dos calendários, em mais uma das convenções que o mundo abraçou e, agora, assim continuará. De quatro em quatro anos, concedem-lhe o especial favor de lhe darem mais um diazito, passando para vinte e nove. Em qualquer caso, perde a competição com todos os demais, que, por sinal, também não primam pela igualdade, como bem se sabe: alguns ficam-se pelos trinta dias, enquanto os demais, a maioria, sobem ao 31º andar.

Como é de Fevereiro que queremos tratar, apesar do seu curto tamanho, ganha em folia a todos os demais, porque nele se comemora o Carnaval, em dois dias grandes, o domingo, dito gordo, e a terça-feira bipolar, com “feriados” nuns lados e comemorado à sucapa, noutros. Ainda não percebemos a teimosia dos governos, uns e outros, que não são capazes de acertar o passo com a tradição do nosso povo, colocando esta data na lista dos feriados oficiais. Se é por questões de produção económica, foge argumento que não tem por onde se lhe pegue, na medida em que quem trabalha o faz cheio de aborrecimento e não rende quanto lhe é habitual. Se a motivação é outra qualquer, não a descortinamos. Para este ano, uma vez mais, foi declarada tolerância de ponto. O que se espera para implementar o dito feriado nacional?

Sem que a nossa memória seja de elefante, recordamos um ano, em meados da década de noventa, em que o Professor Cavaco teimou em cortar este dia de festança popular e houve quem visse, na derrota que se lhe seguiu, uma das causas para esse desfecho. Relembramos ainda, até por experiência própria, que muitos municípios mandaram às urtigas essa determinação e daí não veio qualquer mal ao mundo para cada um deles e para todos, em geral.

Sem qualquer pejo, para nós a terça-feira de Carnaval seria feriado e ponto final. Cortavam-se pela raiz as desigualdades nacionais que para aí existem. Havendo terras que, por tradição, fecham as portas, outras para aí se deslocarem têm de andar a jogar às escondidas, o que não é muito justo, nem grandemente aceitável. Se este mês é de mais reduzida dimensão em virtude de decisões antigas, nos tempos em que vivemos, teimar em não avançar para a legalização daquilo que temos vindo a descrever é quase uma coisa que não dizemos, por algum pudor, ou para não tratarmos mal quem assim procede, fechando os olhos.

Nesta região de Lafões, a terça-feira é um dos momentos maiores dos desfiles de Carnaval, nomeadamente em Campia e Negrelos, para apenas citar algumas das localidades mais destacadas nestes festejos. É certo e sabido que, se o tempo estiver bom, são muitas as pessoas de todos os lados que para estas terras se deslocam. Entretanto, no domingo, a animação vai reinar em muitos outros locais e, nas escolas, até alguns dias antes. Conclusão: isto por aqui também merece um feriado, sem dúvida.

A juntar a estas festarolas, neste Fevereiro temos ainda a já costumada tradição do Dia dos Namorados, o que faz com que este mês, em 2018, dê cartas em termos de animação popular, só um tanto comparável a um outro meio pequenote, Junho, com os seus santos populares.

Tal como em muitas outras circunstâncias, nem os homens, nem os meses se medem aos palmos. Dizem-nos os testemunhos ancestrais que assim é, na verdade. E Fevereiro atesta isso mesmo.