Vouzela,  22 de Novembro de 2017 | Director: Lino Vinhal

Zé do Vouga

Impressões

24 de Abril 2017

Nestas nossas terras, Senhor Director, uma trovoada sonora acompanhada de muito granizo, chuva forte e vento é sempre motivo de grande preocupação.

Com o tempo assim raivoso, os haveres, o trabalho e a dedicação à pequena e grande agricultura são postos em causa e, num momento, tudo se pode perder. Por isso, a relatividade das notícias é sempre um assunto que deve preocupar quem, como o Senhor, tem a responsabilidade de dirigir um jornal, constando-nos que este seu NV é dos fortes. Daí que tenha uma responsabilidade acrescida.

Um céu mal disposto pode dizer mais à nossa gente que a mais valente feira de novas tecnologias (agora tanto na moda) que possa encher o Metro de Lisboa.

Falando nestas coisas da nossa modernidade, somos de opinião, nós humildes cidadãos destas berças, que o mundo anda muito mais na lua do que na terra, onde se realiza o nosso dia-a-dia. Por tudo e por nada, vem logo dizer-se que o futuro está todo nos computadores, que a economia e as finanças só dependem dessas máquinas, quando, nós sabemo-lo, a riqueza criativa e fundamental está no trabalho de outras esferas, como a agricultura, a indústria, a cozinha, as oficinas, as florestas, o mar, saindo de mãos, sabemo-lo, menos calejadas, felizmente, masque não podem deixar de mexer na massa. Querer fugir disto é sonhar com milho a cair do céu, pão que não precisa de forno, calçado que não precisa de cabedal e linhas e tudo o mais de que não podemos prescindir.

Quando lemos os jornais e ouvimos e vemos muitas das notícias que para aí andam, somos quase levados a pensar, Senhor Director, que não vivemos no mesmo mundo.

Por exemplo, se atrás dissemos que a chuva demais nos preocupa (e isso é verdade), estranhamos, muito sinceramente, que as nossas televisões só gostem de falar em dias de sol e do chamado – para essa gente – bom tempo, porque pensam que a vidas e faz de papo para o ar na praia e, se possível, apenas no Algarve e na Costa do Estoril. Nada de mais errado. Uns dias de chuva, da boa, são a cereja no topo do nosso bolo. Ponto.

Veio esta conversa a propósito de uma “saraivada” – como dizem nas nossas terras – monumental que há dias desabou sobre nós. Mas há muito mais coisas para dizer, Senhor Director: uma delas, que nunca esquecemos, é que acabámos de festejar mais um aniversário do 25 de Abril. Outra, tem a ver com o que se passa pelo mundo, desde a França, com eleições presidenciais, à Venezuela. Só de pensarmos na bagunça que reina neste País, nos arrepiamos de todo, Senhor Director. Olhando para umas pessoas que são gente da nossa gente e vendo que uma delas nos deixou há dias, o Senhor Salomão, que, lá da Venezuela, nunca esqueceram a sua terra, tememos pelo futuro das centenas de milhares de nossos compatriotas que por ali vivem. Oxalá que tudo ali se recomponha, para evitar um eventual desastre anunciado e perigoso.

Até daqui uns dias, se Deus quiser.

Zé do Vouga