Vouzela,  13 de Dezembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

Lino Vinhal

Passo a passo a caminho do centenário

14 de Junho 2018

Começa a ser longa a vida deste “Notícias de Vouzela”, nascido de uma profunda aspiração de gente vouzelense que já então tinha a consciência da importância que um jornal credível poderia ter no desenvolvimento de Lafões e na defesa dos interesses legítimos das pessoas que desta região haviam feito a sua terra. São 83 anos, bem longos, os anos que agora se assinalam. Longos em tempo, desde logo. Longos em preocupações e trabalho desenvolvido. Longos em incertezas também, em fases diferentes da vida. Mas aqui chegados, mantemos viva a vontade de continuar a cumprir o papel que nos cabe e de que nos sentimos incumbidos pelas gerações anteriores que tanto remaram para aqui chegar.

Esta é, pois, a primeira nota que aqui queremos deixar à região e a todos os leitores: se as circunstâncias não traírem os nossos propósitos, estamos aqui para continuar, sejam quais forem as pessoas em cujos ombros pesar a responsabilidade de nos continuar.

Sabemos que não falta quem veja no horizonte próximo o fim dos jornais em papel. Ainda agora no Congresso Mundial de Imprensa, decorrido há uma semana no Estoril, com cerca de mil editores de todo o mundo, essa possibilidade estava subjacente ao pensamento de muitos, com receios e entusiasmos à mistura. Mas a imprensa tem a sua história construída sobre essas ameaças permanentes. Já lhe anunciaram o funeral várias vezes, fosse com o advento das Rádios em meados do século passado, fosse com as Televisões, algumas décadas mais tarde. E ela, a comunicação social em papel, aí continua viva e viva vai continuar, se bem lemos as linhas do futuro. É nossa convicção que para o digital, inevitável, e o online, se desenvolverem cada vez mais, não será preciso ampliar os cemitérios para sepultar a comunicação social impressa em papel. Bem pelo contrário. Saberão, estas diversas plataformas, encontrar os caminhos de complementaridade que a todas beneficiará e ajudará a desenvolver. Outra visão das coisas é querer impor interesses pessoais ou de grupo, venham eles disfarçados nos facebooks, nos googles ou outros que, para sobreviverem ainda hoje, vão surripiando muitos dos conteúdos aos jornais e outros meios escritos de informação. Veremos até quando este sistema será permitido ou tolerado.

Na pequena intervenção que fiz a abrir aquele Congresso mundial de que falei atrás, na minha qualidade de membro da Associação Portuguesa de Imprensa, disse que a comunicação social é por natureza bigâmica, porque casada com duas mulheres que em ocasião nenhuma dispensa: a credibilidade e a liberdade. Disse isto porque nenhuma outra plataforma conseguiu até agora garantir a credibilidade que os meios tradicionais cultivam por natureza – jornais, rádios e televisões – e nenhuma outra faz da liberdade de informação a sua paixão, enquanto garante da verdadeira liberdade dos povos. Em lado nenhum do mundo ou em tempo algum haverá liberdade se não houver liberdade de informação. E os homens, como os povos, são seres iminentemente livres e pela sua liberdade e felicidade farão vida fora uma luta constante. O homem não nasceu para ser rico ou pobre, preto ou branco, simpático ou com mau hálito. O homem nasceu para ser feliz. Esse é o seu fim e a sua razão de ser. Prova disso é o que todos os pais e mães desejam para os seus filhos: que toda a vida, e antes de tudo o mais, sejam felizes. E feliz não poderá ser nunca quem não for responsavelmente livre.

E disse mais no Congresso: disse que, além de casado com duas mulheres, o sector da comunicação social está irremediavelmente comprometido com uma sogra, exigente como exigentes são todas as sogras: comprometido com a verdade. A comunicação social não pode ceder no rigor das informações que presta. Jornal nenhum sobreviveria 83 anos, como o “Notícias de Vouzela” ou outro qualquer, se ao longo da vida não tivesse cultivado o  rigor, a verdade, o cuidado e a isenção da sua preocupação editorial. Agora veja, caro leitor: vê em mais alguma plataforma esta preocupação de verdade e de rigor? Sente em alguma outra a credibilidade que nota nos meios tradicionais? Claro que não. Nas demais plataformas qualquer pessoa escreve o que quer e diz o que lhe interessa dizer. São, essas outras plataformas, o espaço natural das notícias falsas, as chamadas fake news que andam agora nas bocas do mundo, depois de terem influenciado as últimas eleições americanas.

Quer isto dizer que essas plataformas não são úteis e importantes? Claro que não. São até importantíssimas e um passo gigante no Conhecimento e no aprofundamento do Saber. E serão até verdadeiramente importantes para a própria informação. Mas uma coisa é serem o que são e outra é serem comunicação social. Isso não são e dificilmente o virão a ser um dia. Pelo menos disso estamos inteiramente convencidos.

Mas não se duvide da sua importância e da sua influência nos caminhos do futuro. Nós próprios, “Notícias de Vouzela” ainda há semanas nos socorremos dessas plataformas para introduzir uma melhoria significativa no acesso do Jornal aos seus Assinantes. Hoje, todos aqueles que tenham email e no-lo tenham comunicado, podem ter acesso a cada edição do nosso Jornal nos primeiros minutos de cada quinta-feira (dia da saída do Jornal), seja em que parte do mundo for. Foi um investimento apreciável  para que os nossos Assinantes possam ter uma alternativa no recebimento do Jornal, já que a distribuição pelos Correios se tem vindo a deteriorar com os anos, pese embora o esforço de quem neles trabalha. Esta melhoria agora introduzida, que tornará também mais acessível o Jornal aos mais jovens, é bem o exemplo da complementaridade que os meios tradicionais e os mais recentes podem desenvolver nos caminhos do futuro.

Ao assinalar mais este aniversário, o “Notícias de Vouzela” saúda toda a sua vasta família de leitores, Assinantes, Anunciantes, Colaboradores e amigos e a todos pede para que continuem connosco nesta caminhada que, sendo embora estimulante, tem um elevado grau de dificuldade.

A nota final que aqui deixamos é exactamente esta: obrigado aos que nos antecederam e a quantos nos têm ajudado ao longo dos anos e podem todos contar com o empenho da equipa, a caminho do centenário que se aproxima. Muito obrigado a todos.

 

Lino Vinhal